Estoril Open NotÃcias e Eventos 2006

Frederico Gil
© Joao Lagos Sports
Frederico Gil deixou em aberto uma página dourada na história do Estoril Open, e por consequência nos próprios anais da modalidade em Portugal, ao bater esta tarde o quinto cabeça-de-série, Dmitry Tursunov, por 4-6, 6-4 e 6-1, garantindo o apuramento para os quartos-de-final do mais importante torneio de ténis internacional realizado anualmente em Portugal.
Recuando no tempo, quando tinha apenas 10 anos, encontra-se a última memória de Frederico Gil, no que diz respeito ao Estoril Open. Curiosamente, a última vez em que um português atingia os quartos-de-final. Nesse ano de 1995, Nuno Marques caía aos pés de Emílio Sanchez com os parciais de 4-6, 6-4 e 6-3.
11 anos passados, o actual número 246 do ranking técnico ATP cometeu a proeza de vergar o 33º classificado da hierarquia mundial, recuperando de uma desvantagem de um set a zero, caindo na terra batida do court central, depois de selar a contenda ao cabo de duas horas e 19 minutos.
Com o vento a fazer das suas ao longo de todo o encontro, o russo de 23 anos teve ainda de lutar com a sua impaciência – reclamando com o facto de Gil demorar demasiado tempo entre cada um dos pontos do seu jogo de serviço. O que acabou por levar o tenista radicado na Califórnia, a dirigir algumas palavras ao jovem luso, no habitual cumprimento junto à rede.
«Sinceramente não percebi muito bem, mas foi qualquer coisa do género, “se fizeres mais alguma vez isto lá fora, eu ‘mato-te’”», começou por revelar um Frederico Gil muito bem disposto, antes de confessar que esta «foi a minha melhor vitória de sempre, em termos de nível de ténis jogado».
Uma vez instado a comentar o desenrolar do embate, Gil voltou ao estilo que o tem marcado no último dia, fazendo questão de explicar que estiveram em court «dois estilos completamente diferentes. Ele era mais agressivo na linha de fundo, enquanto que eu consegui jogar mais sólido, mais rápido e acho que com um pouco mais de cabeça».
Com o court central bem composto nas bancadas, o estreante no quadro principal do Estoril Open – que logrou vencer o Troféu RTP na passada semana e o consequente wild card – agradeceu o «apoio do público. É muito importante e sempre giro ter as pessoas a apoiar-nos. Tento abstrair-me desse factor mas é bom sentir isso».
Ainda como curiosidade, de registar a semelhança entre Frederico Gil e o seu treinador. Antes de Nuno Marques em 1995, João Cunha e Silva foi o primeiro jogador português a jogar os quartos-de-final do Estoril Open de 1992, perdendo na altura para o espanhol Sergi Bruguera.
Amanhã, Frederico Gil tentará naturalmente fazer melhor que o seu orientador técnico, mas a tarefa, teoricamente, será ‘espinhosa’, já que o campeão nacional 2004 irá defrontar o vencedor do encontro entre o primeiro cabeça-de-série, David Nalbandian (4º ATP) e o qualifier francês Jeremy Chardy (522º ATP).
Mas afinal, como se explicou no início do texto, a página continua em aberto… e tudo pode acontecer!


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