Estoril Open NotÃcias e Eventos 2005

Gaston Gaudio
© João Lagos Sports
O segundo cabeça-de-série, Gaston Gaudio, e o quarto pré-designado, Tommy Robredo garantiram a presença na final da 16ª edição do Estoril Open. O actual campeão de Roland Garros e quinto classificado do ranking técnico ATP precisou de três sets - 6-4, 2-6 e 6-2 - para levar de vencida o jovem espanhol Guillermo Garcia-Lopez. Já Robredo, actual número 15 mundial e presente no Jamor com um convite de João Lagos, necessitou apenas de vencer o primeiro set por 6-3 e esperar pelos 3-0 no segundo parcial para ver Carlos Moya desistir do encontro com uma lesão no ombro direito.
O estigma das desistências voltou esta tarde a assombrar o Estoril Open, quando Carlos Moya, aos 51 minutos de jogo, informou o árbitro italiano Romano Grillotti de que não se encontrava em condições de prosseguir o encontro com o seu compatriota Tommy Robredo. Motivo: uma dor no ombro direito que desde o final do encontro com Juan Carlos Ferrero nos oitavos-de-final - suspeita de lesão num tendão - e que desde ontem frente a Paul-Henri Mathieu o tem atormentado. "Desde o início do aquecimento que senti que a dor iria influenciar-me durante todo o encontro. Não conseguia tirar partido do meu serviço", explicou posteriormente o campeão da edição de 2000 do Estoril Open.
Actualmente na nona posição do ranking técnico ATP, o tenista maiorquino tinha confessado na véspera que estava a "ter a melhor semana desde o início da temporada", mesmo tendo triunfado no torneio de Chennai (Índia), no passado mês de Janeiro. Ainda assim, nem mesmo a enorme vontade de continuar em prova foi capaz de superar as dores, optando o jogador de 28 anos, primeiro cabeça-de-série do quadro principal, por colocar um ponto final na sua caminhada nesta edição do Estoril Open. "Estava a jogar bem, mas estas coisas fazem parte do desporto. Acredito que o Tommy está a jogar muito bem, e tem boas hipóteses de conquistar aqui o título", afiançou Moya, que na próxima semana espera competir no Masters Series de Roma, pese embora o facto de ir ainda consultar-se com um médico para avaliar a gravidade da lesão - "já há alguns anos que tenho tido problemas com o ombro, por isso quero perceber o que se passa e ver se posso mesmo jogar em condições na próxima semana".
Quanto a Robredo, limitou-se a testemunhar o que se tinha passado no court central onde verificou "desde cedo que ele não estava a servir a 200 km/h como é habitual. Ao início ainda pensei que pudesse ser uma táctica, mas depois percebi que se passava alguma coisa anormal. Se estivesse no lugar dele, mesmo sendo uma meia-final, fazia o mesmo. Penso que é sempre preferível parar quando se sente uma dor, para recuperar para a semana seguinte". Sobre o facto de ter chegado à final, quase sem ter jogado hoje, o quarto cabeça-de-série foi lacónico ao afirmar que "se me dissessem que podia ganhar Roland Garros sem jogar nenhum encontro, é óbvio que não ia ficar chateado. Mas claro que gosto de ganhar jogando, pois essa é a essência do jogo, mas se o nosso adversário se lesiona, são coisas que acontecem e temos que saber lidar com elas".
Os altos e baixos de Gaudio
Mas se na primeira meia-final os 5470 espectadores que hoje visitaram o complexo de ténis do Estádio Nacional do Jamor ficaram com água na boca - bateu-se o recorde de assistências no dia reservado às meias-finais -, o mesmo não se pode dizer do encontro seguinte que colocou frente-a-frente Gaston Gaudio e Guillermo Garcia-Lopez.
O actual campeão de Roland Garros, Gaston Gaudio, como seria de esperar, entrou a controlar os acontecimentos, muito por culpa também do "nervosismo inicial", sentido pelo seu adversário no arranque do encontro. No entanto, como o actual número cinco mundial haveria de referir no final do encontro, o mesmo foi de "altos e baixos", tendo o argentino de Buenos Aires optado por uma mudança de estratégia no final do segundo set - binómio serviço-vólei - para tentar despachar-se o mais depressa possível desse parcial, entrando mais concentrado no derradeiro set do encontro. "Acho que tive alguma sorte no encontro de hoje. Ele cometeu alguns erros e eu não lidei muito bem com o vento no segundo set. Senti-me desapontado pois passei o tempo todo a correr na linha de fundo e não conseguia entrar no court. No terceiro set mantive o meu serviço, ele não conseguiu fazer o mesmo e essa foi a chave do encontro", que teve a duração de uma hora e 48 minutos.
Sobre o seu actual momento de forma, e questionado sobre se seria importante a presença nesta final para a preparação da defesa do título em Roland Garros, o titular de dois ATP em 2005 (Buenos Aires e Vina del Mar) confirmou essa ideia, afirmando que "apesar de haver dias em que nos levantamos da cama e quase nada sai bem, como aconteceu em algumas fases do encontro de hoje, o estar numa final nesta altura do ano dá-me muita confiança para chegar a Paris e tentar repetir a experiência maravilhosa que vivi em 2004".
Do lado de Guillermo Garcia-Lopez o desalento tomou conta do espanhol natural de Albacete, isto porque ficou com a sensação de ter "perdido o encontro por pequenos detalhes. Eu sei que esses pormenores a este nível pagam-se muito caro, mas não deixo de ficar triste por isso ter acontecido. Cometi o erro de querer terminar os pontos rápidos de mais, quando tenho perfeita consciência de que o meu jogo não é esse. Tenho de trabalhar bens os pontos sem precipitações pois só consigo jogar o meu melhor ténis".
Após a derrota de hoje, naquela que foi a terceira meia-final em torneios ATP da sua carreira - o que não é de estranhar, se atentarmos no facto de que o ano passado, o espanhol venceu um torneio Future no Algarve (10.000 dólares) - o amigo de Juan Carlos Ferrero terá agora uma semana para descansar, visto que falhou a presença do qualifying do Masters Series de Roma, e torneios desta categoria não permitem a inclusão de 'special exempts', partindo depois para o Masters Series de Hamburgo.
Mesmo vencido, o jovem de 21 anos foi ainda desafiado a falar sobre a final que amanhã oporá Gaston Gaudio e outro dos seus amigos espanhóis, Tommy Robredo: "que jogue todos os pontos como se fossem os últimos, e acima de tudo, não se deixe dominar pelo ténis de Gaudio. Se isso acontecer é muito difícil conseguir a recuperação".
Títulos de pares repartidos por olímpicas chinesas e checos
Ainda no dia de hoje ficaram definidos os nomes dos novos campeões
de pares do Estoril Open. Nas senhoras, as campeãs olímpicas
Ting Li e Tian Tian Sun valeram-se do seu estatuto dourado para
levar a melhor sobre a holandesa Michaella Krajicek e a eslovaca
Henrieta Nagyova com os parciais de 6-3 e 6-1. Já na
competição masculina, o campeão em título
Juan Ignacio Chela resolveu emparelhar este ano com o espanhol
Tommy Robredo, apurando-se novamente para a final, mas não
conseguiu defender o ceptro da melhor maneira, entregando assim
a vitória à dupla checa constituída por
Frantisek Cermak e Leos Friedl.


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