Estoril Open NotÃcias e Eventos 2005

Gaston Gaudio
© Joao Lagos Sports
João Lagos, director do Estoril Open, anunciou o primeiro cabeça-de-cartaz dos vários protagonistas que irão abrilhantar a 16 edição do maior evento tenístico anualmente realizado em Portugal: trata-se de Gaston Gaudio, o argentino que actualmente ostenta o estatuto de campeão de Roland Garros e o único a quebrar a hegemonia de Roger Federer nos torneios do Grand Slam em 2004.
Gaudio ocupa o 10º posto do ranking mundial e, curiosamente, tem seguido um trajecto muito semelhante ao de Gustavo Kuerten que teve importantes etapas em Portugal: tal como o brasileiro ex-número um mundial, também o argentino venceu um evento dos escalões inferiores em solo luso (AXA Open de 1999 em Espinho, dotado de 125 mil dólares) e arrecadou o título de pares do Estoril Open (juntamente com Juan Ignacio Chela) no ano da sua consagração em Roland Garros. Guga venceu uma etapa de um circuito satélite em 1995 e triunfou no Jamor ao lado de Fernando Meligeni semanas antes de ganhar Roland Garros em 1997; o brasileiro sempre teve enorme respeito pelas qualidades tenísticas de Gaston Gaudio e já em 2002 afirmava que o simpático rapaz das Pampas tinha potencial para vencer na catedral parisiense da terra batida
"O Estoril Open tem-se afirmado como um dos principais eventos do circuito europeu que desemboca em Roland Garros e, nessa perspectiva, nada melhor do que ter no Jamor o vencedor do maior torneio do mundo em terra batida", revela João Lagos. "O Gaston ganhou precisamente em Portugal um título que o consolidou no top 100 e é o actual detentor do título de pares do Estoril Open; será um privilégio para o nosso torneio ter um jogador que ganhou uma das mais memoráveis finais de sempre em Roland Garros". E acrescenta: "Gaudio é um jogador talentoso, digno herdeiro do seu compatriota Guillermo Vilas no palmarés de Roland Garros e um dos grandes protagonistas da excepcional geração que faz com que a Argentina seja o país mais representado no top 12 mundial".
UM TRIUNFO ÉPICO
Gaston Gaudio entrou para o panteão dos campeões de torneios do Grand Slam ao vencer Guillermo Coria por 0-6, 3-6, 6-4, 6-1 e 8-6 na final de Roland Garros - a final com o último set mais equilibrado na secular história dos quatro maiores eventos da modalidade. Face ao favoritismo de Coria, Gaudio entrou nervoso e, incapaz de 'soltar' o seu melhor ténis, rapidamente se viu a perder por dois sets a zero e 4-3 na terceira partida. Foi então que, após a conquista de um ponto longo e espectacular, protagonizou uma 'ola' em comunhão com o público que teve o condão de o fazer entrar finalmente em jogo e dar a volta ao resultado. Coria ainda reagiu no quinto set e por duas vezes (a 5-4 e 6-5) serviu para o ganho da final, dispondo mesmo de dois match-points - que Gaston anulou com galhardia, terminando depois o encontro com um ponto ganhante de esquerda, a marca registada do seu arsenal.
"Desde que peguei numa raqueta que sonhava em ganhar Roland Garros. Antecipei tantas vezes jogar o match-point de Roland Garros que o facto de ter vivido esse momento e ganhar o torneio foi como um terramoto para mim", disse então Gaudio. "Roland Garros era o sonho da minha vida. Por isso sempre coloquei muita pressão sobre mim em Paris e nunca joguei realmente bem, a não ser em 2002 quando tive o azar de defrontar o Juan Carlos Ferrero e desperdicei um break de vantagem no quinto set". Mas agora pode celebrar: "Em minha casa, à noite, quando me deito vejo sempre a Taça dos Mosqueteiros e uma foto do momento da conquista e sinto uma alegria indescritível".
Gaudio começou 2004 de modo algo periclitante, mas foi a partir do Estoril Open que as coisas começaram a correr-lhe melhor. Perdeu na ronda inaugural com a revelação Florian Mayer (que atingiria as meias-finais), mas ganhou em pares. Depois, perdeu em cinco sets face a Tommy Robredo na final de Barcelona e recomeçou a jogar bem na Taça do Mundo das Nações, em Dusseldorf. Imediatamente a seguir rubricou o tal trajecto épico em Roland Garros, com sucessos sobre Guillermo Canas e Jiri Novak (ambos em cinco sets), Thomas Enqvist, Igor Andreev, Lleyton Hewitt (um correctivo nos quartos-de-final: 6-3, 6-2, 6-2) e David Nalbandian (6-3, 7-6, 6-0 nas meias-finais) antes da tal recuperação sensacional face a Guillermo Coria na final.
O argentino não ganharia mais nenhum título em 2004, mas marcou presença nas finais de Bastad, Estugarda e Kitzbuehel - comprovando a sua excelência em terra batida. No final do ano, esteve entre os oito mestres que disputaram a Masters Cup em Houston.
TRAGÉDIA E HOMENAGEM
Com 26 anos recentemente cumpridos no dia 9 de Dezembro, Gáudio nasceu na capital argentina e continua a manter residência oficial em Buenos Aires. Começou a jogar aos seis anos e foi quando viu o pai, Norberto, ter um ataque cardíaco e ficar à beira da morte que decidiu investir mais na sua carreira tenística - porque o pai sonhava que ele se tornasse um bom profissional da raqueta. "Vê-lo perto da morte foi um choque para mim", sublinha; "Tinha então 15 anos e decidi investir tudo no ténis; foi como uma homenagem que lhe devia prestar".
Aos 20 anos, Gaston veio até Portugal para jogar a memorável edição do AXA Open em 1999. Salvou então match-points nos quartos-de-final e foi o vencedor de um evento misto que contou com a presença de três futuros líderes da hierarquia mundial: no quadro masculino, o suíço Roger Federer e o espanhol Juan Carlos Ferrero (afastados ambos na ronda inaugural!) e ainda outros argentinos de destaque como Juan Ignacio Chela (o actual campeão do Estoril Open também perdeu na primeira eliminatória) e Agustin Calleri (o finalista do Estoril Open em 2003 atingiu então as meias-finais); no quadro feminino, esteve presente a belga Kim Clijsters.


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