Estoril Open NotÃcias e Eventos 2004

Guillermo Cañas
© João Lagos Sports
João Lagos, director do Estoril Open, anunciou ontem o nome do primeiro wild card para o quadro principal da 15ª edição do maior evento tenístico anualmente realizado em Portugal: Guillermo Cañas, ex-número um argentino e que este ano regressou ao circuito após uma lesão e consequente intervenção cirúrgica que o afastaram do circuito durante oito meses na época transacta.
Os wild cards (convites) constituem prerrogativa do director de qualquer torneio internacional, podendo ser atribuídos a jogadores bem classificados que não cumpriram o prazo de inscrição ou a jogadores sem classificação para aceder directamente ao quadro principal. Guillermo Cañas, um habitué do top 15 mundial (tem por melhor ranking um 12º posto), solicitou um wild card quando tomou a decisão de juntar o evento português ao seu calendário para melhor preparar a época de terra batida europeia e o assalto a Roland Garros - torneio onde costuma integrar a lista de favoritos.
"Temos uma ligação especial com Guillermo Cañas desde o seu sucesso num Challenger organizado por nós em Espinho, quando ele era muito jovem", revela João Lagos. "É um jogador impressionante em terra batida e um dos maiores lutadores do circuito; a sua generosidade e entrega ao jogo estiveram bem patentes nas últimas edições de Roland Garros que jogou e em que fez figura de potencial vencedor. O ano passado esteve ausente por lesão, mas em 2001 só perdeu com o então número um mundial Lleyton Hewitt e em 2002 ganhou a Carlos Moya e a Lleyton Hewitt, sendo apenas traído pelo desgaste físico quando estava a vencer claramente Albert Costa e já estava com um pé nas meias-finais...".
Gullermo Cañas é um competidor nato, famoso pela sua intensidade exibicional em todos os tipos de piso. É um autêntico 'panzer' que viu o seu ímpeto ascensional travado por várias lesões em momentos cruciais da sua carreira - em 2000 (pulso esquerdo), 2002 (pulso direito) e 2003 (mão direita), tendo mesmo sido eleito 'Comeback Player of the Year' no ATP em 2001. Apesar dessas lesões e correspondentes intervenções cirúrgicas que o afastaram longamente do circuito, foi forjando um sólido currículo que faz dele um dos mais temidos jogadores do circuito em todas as superfícies, sobretudo na terra batida (ganhou a Taça das Nações pela Argentina e conquistou um título em quatro finais) e em hardcourts (ganhou o Masters Series de Toronto e em Chennai, para além de contar com escalpes famosos nesse piso). E também já atingiu finais em relva ('s-Hertogenbosch) e recinto coberto (Viena) no circuito ATP, depois de ter ganho o Challenger de Espinho em 1998.
"É muito gratificante voltar a Portugal, já
que entrei pela primeira vez no top 100 depois de ganhar em
Espinho. Espero repetir essa vitória, apesar de o Estoril
Open ser um torneio de nível diferente", referiu
Cañas após ser afastado por Andy Roddick nos
oitavos-de-final do Masters Series de Miami.
"Estou muito contente por ter sido agraciado com um wild
card para o Estoril Open. Para mim, este ano é muito
importante começar o mais cedo possível a temporada
europeia em terra batida. Cheguei às meias-finais em
Acapulco e vou para Portugal com uma grande vontade de jogar
bem e tentar chegar à final - depois de David Nalbandian
ter ganho o torneio em 2002 e de Agustin Calleri ter sido
finalista em 2003, espero que possamos ter outro argentino
a defender a boa imagem do nosso ténis e que possa
estar na final de domingo".
Cañas, de 26 anos, 1m82 e 84 kg, é treinado
pelo antigo jogador argentino Hernan Gumy (finalista do Maia
Open em 1996) e este ano já protagonizou um dos melhores
duelos da temporada: no Open da Austrália, depois de
bater o seu compatriota e finalista do Estoril Open Agustin
Calleri (que vai regressar ao Jamor e que ontem derrotou Andre
Agassi no Masters Series de Miami), impôs-se ao inglês
Tim Henman numa maratona de cinco horas saldada pelos equilibradíssimos
parciais 6-7, 5-7, 7-6, 7-5 e 9-7. Sendo considerado um especialista
em terra batida, essa prestação no Open da Austrália
confirmou também a sua capacidade em actuar bem nas
superfícies mais rápidas - recorde-se que, no
caminho para o seu triunfo no Masters Series de Toronto, bateu
Roger Federer, Yevgeny Kafelnikov, Marat Safin, Tommy Haas
e Andy Roddick!


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